Dona Fifi aos 19 anos.

Apostilas eletrônicas de Dona Fifi
DUAS GRANDES FÍSICAS:
MARIA CURIE e LISE MEITNER



Lise Meitner, a fissão nuclear e o prêmio Nobel.

As descobertas de Otto Hahn e Fritz Strassmann, juntamente com a explicação teórica de Lise Meitner e Otto Frisch causaram imediata sensação no mundo científico mas, a partir desse ponto, a coisa se complicou. Para começar, o potencial militar da fissão nuclear fez com que o tema passasse a ser matéria de sensibilidade estratégica. Tanto os aliados quanto os alemães logo vislumbraram a possibilidade de fazer uma bomba atômica aproveitando a enorme energia liberada no processo. Essa história da bomba eu não pretendo contar. Vou agora relatar meu ponto de vista sobre o que aconteceu com Lise Meitner, após a publicaçào de seu modelo teórico.

A colaboraçào entre Lise e Otto Hahn foi ocultada com a desculpa de não por em perigo os cientistas alemães e seu laboratório em Berlim. Mas, segundo dizem alguns biógrafos, parece que Otto Hahn começou a acreditar que só ele, com alguma ajuda de Strassmann, tinha descoberto e explicado a fissão nuclear. Segundo essa versão, ele teria afirmado que o trabalho foi só de química, a física não servira para nada e até atrapalhou a pesquisa. Talvez ele tenha mesmo dito essas coisas, embora eu ache difícil de acreditar que o sujeito simpático que conheci em Berlim fosse tão canalha. Além disso, mesmo depois da guerra, até morrerem em 1968, quase ao mesmo tempo, Lise e Otto se corresponderam cordialmente e se encontraram várias vezes sem sinal de rancor entre eles.

Lise Meitner e Otto Hahn nos anos 30. Bons tempos.
Imperdoável, porém, foi a decisão dos suecos de conceder o prêmio Nobel apenas a Otto Hahn. E tem mais, esse prêmio foi dado em 1945, depois da guerra, depois da bomba de Hiroshima e depois do holocausto. A desculpa de não provocar os nazistas já não valia. Mesmo assim, Lise Meitner, Fritz Strassmann e Otto Frisch ficaram chupando o dedo.

Durante a guerra, Lise Meitner foi convidada pelos americanos para participar do projeto de fabricação da bomba atômica. Eu, no lugar dela, teria ido. Mas, Lise era pacifista e não aceitou o convite. Depois da guerra, seu valor foi reconhecido e ela ganhou vários prêmio importantes, como o prêmio Fermi, a medalha Max Planck e a medalha Leibnitz. Em 1992, o elemento 109, fabricado em reatores nucleares, foi batisado de Meitnério (Mt). Lise Meitner morreu em 1968, na Inglaterra, com quase 90 anos.