Dona Fifi aos 19 anos.



As atribulações de Ludwig Boltzmann


No túmulo de Ludwig Boltzmann, no Cemitério Central de Viena, pode-se ver a imagem do criador da Física Estatística e, acima dela, a famosa equação:

S = k log W.

O curioso é que Boltzmann nunca escreveu essa equação. Ela apareceu, pela primeira vez, no livro Teoria do Calor, de Max Planck, publicado em 1906, ano da morte de Boltzmann. Até a constante k, hoje chamada de constante de Boltzmann, foi introduzida na literatura por Planck.

Mas, isso não tem nenhuma importância, pois Boltzmann foi o primeiro e o mais ativo defensor da idéia de explicar os fenômenos macroscópicos (pressão, temperatura etc) através de interações entre átomos e moléculas em constante movimento.

Hoje, qualquer criança de jardim da infância sabe o que é um átomo e aceita, com naturalidade, sua existência. No final do século 19, porém, muitos físicos e químicos de renome não aceitavam a idéia de que a matéria é descontínua. As opinões de Boltzmann foram contestadas com veemência por Ernest Mach e Wilhelm Ostwald e as desavenças, em certos momentos, saíram da arena puramente científica, entrando na disputa pessoal.

Túmulo de Bolzmann em Viena
Fotografado por Constantino Tsallis

No entanto, Boltzmann não estava só, nessa disputa. Alguns dos maiores sábios da Europa e dos Estados Unidos sempre o apoiaram. Inúmeras honrarias e títulos lhe foram concedidos pelas mais conceituadas universidades. O próprio Max Planck, um de seus maiores fãs, escreveu, em 1904:

"Clausius e Maxwell nunca tentaram dar uma definição direta da entropia em termos mecânicos. Esse passo foi dado por Boltzmann, a partir da teoria cinética dos gases, definindo a entropia de forma geral e inequívoca, como o logaritmo da probabilidade de um estado mecânico."

Mas, Ludwig Boltzmann era um cara depressivo. Por causa das desavenças com alguns colegas, como os que citamos acima, ele mudava constantemente de universidade, tendo passado, em poucos anos, por Viena, Graz, Leipzig, Heidelberg e Berlim. Em 1900, quando estava em Leipzig, tentou o suicídio, talvez por causa de suas controvérsias com Ostwald. Em 1902, voltou para Viena mas sua saúde, física e mental, definhava. Em 1906, quando passava férias na Baía de Druino, perto de Trieste, Boltzmann se enforcou. Não se sabe ao certo se as acirradas disputas científicas que ainda o acompanhavam pesaram para que ele encarasse esse trágico fim.

Pouco tempo depois de sua morte as evidências experimentais da validade de suas idéias começaram a se acumular rapidamente. Medidas de J. Perrin, em 1908, mostraram de forma inequívoca a existência e o movimento dos átomos e moléculas e sua concordância perfeita com as previsões teóricas de Boltzmann.
(NOTA DO EDITOR: Veja O MOVIMENTO BROWNIANO.)
Juntamente com o americano Josiah Gibbs, que trabalhou na mesma linha que ele, de forma independente, Boltzmann é considerado o criador da Mecânica Estatística, um dos ramos mais importantes e frutíferos da Física Moderna.


Apostila 7: Entropia de um buraco negro.