Dona Fifi aos 19 anos.

Apostilas eletrônicas de Dona Fifi
LONGEVIDADE

Como foi que eu fiquei tão velha?


Semana passada completei 96 anos. Contei a meus netos uma piada de Bob Hope: "Você sabe que ficou velho quando as velas custam mais que o bolo". Na festa do meu aniversário eles resolveram esse problema marcando 96 no sistema binário usando apenas 7 velas, as cinco primeiras apagadas e as duas últimas acesas. Ficou também mais fácil de soprar.

Depois me ocorreu essa pergunta do título, proferida pela personagem de um romance de Kurt Vonnegut. E resolvi investigar o que a ciência tem a dizer sobre isso. Nessas apostilas, repasso a vocês algumas das coisas que aprendi e informações que coletei.

Antes, quero dar minha opinião sobre a velhice, condição que conheço bem, por experiência própria: não é tão ruim quanto dizem. Ficar velho não é bom nem ruim, e a única alternativa viável pouca gente gosta de encarar. Morrer não é bom, mas, não morrer pode até ser pior. Segundo o poeta Homero, o troiano Titonos era tão charmoso que a deusa Aurora se embeiçou por ele. Como não queria perdê-lo, pediu a Zeus que fizesse Titonos imortal. E foi atendida, só que esqueceu de acrescentar que o namorado deveria ficar sempre jovem. O resultado foi desastroso. Com o tempo, Titonos ficou velho e decrépito e Aurora o abandonou. O pobre Titonos queria morrer e não podia.

Moral da história: só vale a pena continuar vivo enquanto houver uma Aurora sincera a seu lado. E quanto tempo uma pessoa normal pode viver sem a ajuda dos deuses, a não ser os deuses da medicina?

Uma resposta para essa pergunta na forma de uma função matemática foi dada pelo atuário inglês Benjamin Gompertz, em 1825. É sobre essa função que falarei na próxima apostila. E, como vou contar mais adiante, talvez a velhice e a doença não precisem andar juntas, necessariamente.


A fatídica Curva de Gompertz.

Por que a Lei de Gompertz funciona tão bem?

A teoria da Evolução, a genética e o envelhecimento.

Quanto tempo podemos viver?

As mazelas da velhice são compulsórias?

O que dizem os demógrafos sobre a longevidade.