Dona Fifi aos 19 anos.

Apostilas eletrônicas de Dona Fifi
LONGEVIDADE

O que dizem os demógrafos sobre a longevidade.


O envelhecimento e a longevidade são problemas importantes para biólogos e demógrafos, mas eles pouco se entendem. Artigos escritos por demógrafos são cheios de fórmulas matemáticas. Já os biólogos preferem umas figurinhas ilustrativas cheias de círculos e setas. Demógrafo só cita demógrafo, biólogo só cita biólogo e ambos citam a si mesmos, com abundância.

Vou dar um exemplo. O casal de demógrafos russos Leonid Gavrilov e Natalia Gavrilova desenvolveu um modelo que simula o acúmulo de danos em um sistem genérico, artificial ou biológico. Com esse modelo chegaram a uma fórmula matemática para a taxa de sobrevivência que pode ser adaptada para ambos os casos, máquinas ou seres vivos. Uma consequência interessante desse modelo, no caso biológico, mostra que pequenos ganhos na fase inicial de desenvolvimento podem resultar em grandes consequências no final da vida, adiando ou eliminando problemas da idade e ampliando a expectativa de vida. Nesse contexto, vale a pena adotar práticas saudáveis na juventude pois elas poderão garantir uma velhice saudável e prolongada.

Os resultados dos Gavriloves são solenemente ignorados pelos biólogos. Coisa parecida acontece com muitos outros trabalhos de demógrafos, E, no entanto, as técnicas de simulação usadas pelos demógragos poderiam ser muito úteis para abordar temas evolutivos.

De qualquer forma, vale a pena ouvir o que os demógrafos têm a dizer sobre a longevidade. Para começar, eles sabem que o temor dos Malthusianos em relação ao aumento populacional é exagerado. Pois tem quem acredite que, aumentando a longevidade dos humanos, em breve o planeta estará superpovoado, cheio de miseráveis, prestes a colapsar de vez. Mas, não é assim.

Vamos imaginar o caso limite. De repente, toda a atual população do mundo (7 bilhões) se torna imortal. O que acontecerá depois de algumas gerações? Os pessimistas logo dirão: a população vai explodir e vai faltar espaço e comida para toda essa gente. Mas, como qualquer estudante de matemática do ginasial sabe, isso depende da taxa de natalidade. Se cada casal do planeta tiver apenas um filho ou filha, mesmo depois de infinitas gerações a população não vai ultrapassar o dobro da inicial.

Vejamos o caso do Brasil. Atualmente, a população brasileira está perto de 200 milhões.

NOTA DO EDITOR: Em 2013, segundo o IBGE, somos 201 milhões.

O que vai acontecer no futuro próximo? Segundo os demógrafos, a população do Brasil vai aumentar vagarosamente até 2060 e depois vai começar a cair.

Essa tendência é baseada na fecundidade das brasileiras. Quando eu nasci, cada brasileira tinha mais de 7 filhos, em média. Eu mesma cheguei a ter nove filhos. Portanto, contribuí para esse morrinho que aparece no gráfico abaixo em torno dos anos 50. Hoje, a média de filhos por casal é 1,9, abaixo, portanto, da taxa de reposição.

NOTA DO EDITOR: Em 2013, essa taxa já é de apenas 1,77 filhos por casal.

Em 2030, a taxa de fecundidade das brasileiras deve chegar a 1,5, segundo os demógrafos e suas matemáticas. Essa queda na produção de bebês não se deve, eu acho, a um desinteresse dos homens. Os demógrafos dizem que é devida a métodos anticoncepcionais eficientes e seguros e ao aumento no número de mulheres que trabalham fora de casa. Deve-se, também às mudanças drásticas nos costumes, para melhor, segundo minha opinião. Há até quem sugira que as novelas da TV contribuem para essa queda. Realmente, as personagens femininas das novelas, além de viverem arrumadas, cheias de anéis, pulseiras e brincos, nunca têm mais de dois filhos.

Se essas previsões realmente se confirmarem, vai ser bom ou ruim para o Brasil? Depende de quem fala, se é um otimista ou um pessimista. Muita gente teme o envelhecimento da população. Hoje, o número de contribuintes para a Previdência é cerca de 10 vezes o número de idosos aposentados. Certamente, essa proporção vai cair muito nas próximas décadas. Provavelmente, a idade para uma pessoa se aposentar será aumentada. Supondo que a medicina, apoiada nas pesquisas que descrevi nas apostilas anteriores, consiga melhorar a saúde dos velhinhos, esse adiamento da aposentadoria não seria nenhum problema.

Outro ponto positivo é o aumento da renda das famílias, com mais mulheres trabalhando. Com a população tendendo a estacionar, o desemprego poderá ser controlado com mais facilidade. Vão faltar empregadas domésticas, mas, isso é até bom.

Também na educação da meninada as coisas podem melhorar. Menos filhos por família significa menor custo para educá-los. Agora, tudo vai depender muito do que o governo e os políticos vão fazer. E, portanto, depende de vocês que votam. Se ficar como está hoje, não dá para ser muito otimista. Ainda tem pobre demais no Brasil e a qualidade do nosso ensino é lastimável.

No resto do mundo a situação é mais preocupante para vocês que ainda estarão aqui nas próximas décadas. A China, a Índia, a África e o Oriente Médio estão caminhando para números alarmantes em suas populações. Se houvesse algum jeito de distribuir melhor os recursos, diminuir o consumismo ateu e controlar mais a fecundidade das mulheres, poderia haver esperança. Não consigo ver nada disso no futuro. Mas, não estarei aqui para ver o estrago. Por enquanto, aproveito, enquanto posso, o friozinho da Meruoca para tomar uma taça de vinho no almoço, degustando o resveratrol.