Dona Fifi (1914 - 2013)
aos 19 anos.
Apostilas eletrônicas de Dona Fifi
RELATIVIDADE GERAL

Algumas recordações do eclipse


Não dá para lembrar muita coisa, afinal já se foram mais de 90 anos. Guardo bem a imagem de meu pai escurecendo pedaços de vidro com a fumaça de uma lamparina. Ainda não havia luz elétrica nas casas e, pelo que recordo, as ruas eram iluminadas com lampeões a gás.

Na manhã do eclipse muita gente foi para a região onde ocorriam corridas de cavalo, pois era lá que estavam os astrônomos e seus telescópios. Meu pai me deitou sobre uns sacos que ocupavam uma carroça e eu vi o eclipse nessa posição horizontal. Tinha chovido mais cedo, mas, na hora certa o Sol apareceu e logo começou a ser encoberto pela Lua. Foi um belo espetáculo e o pessoal todo gritava e batia palmas.

Meu pai conversou bastante com um dos técnicos que falava um pouco de português. Depois do eclipse, esse técnico, cuja nacionalidade não sei qual era, pegou minha chapa de vidro escurecido, rabiscou nela as letras f f e me devolveu. Esse vidro ficou guardado lá em casa por muitos anos, talvez até ainda exista em algum baú.

Sobre os resultados e repercussões do evento, só alguns anos depois tive alguma compreensão. Na Europa, onde estive no início dos anos 30, sempre que alguém me ouvia dizer que era de Sobral, no Brasil, a conversa passava a ser sobre a Relatividade Geral. Como vários amigos meus, nessa época, eram físicos, pude aprender um bocado de coisas sobre essa teoria de Einstein. E é sobre essa Teoria que vou conversar com vocês.


Ecos da relatividade especial.

Como a relatividade especial se choca com a teoria da gravitação de Newton.

O princípio da equivalência.

O artigo de 1915 e suas consequências.

A relatividade geral e o Universo.