SEARA DA CIÊNCIA
QUÍMICA                        
A DESCOBERTA DO OXIGÊNIO

As observações de Scheele e Priestley.


Quem primeiro conseguiu separar e isolar uma amostra do gás que hoje chamamos de OXIGÊNIO foi o apotecário (farmacêutico) sueco Carl Wilhelm Scheele. Seu experimento, realizado em 1773, consistiu em aquecer uma amostra do "mercúrio calcinado", um pó avermelhado hoje conhecido como Óxido de Mercúrio (HgO). Fazendo isso com o pó encerrado em uma campânula fechada, ele observou que o ar dentro da campânula mudava suas características normais. Uma dessas mudanças mais evidentes era que, na presença desse ar modificado, a chama de uma vela ficava bem mais intensa que o normal. Por essa razão, Scheele chamou esse gás de "ar de fogo". Hoje, sabemos que esse "ar de fogo" é simplesmente o Oxigênio. Scheele não sabia, mas o aquecimento do Óxido de Mercúrio estava liberando um dos componentes do pó, o gás Oxigênio.

Infelizmente, Scheele não conseguiu publicar imediatamente seus resultados e esse trabalho ficou esquecido por muito anos. Para complicar um pouco a coisa toda, Scheele, que trabalhava isolado em sua farmácia na Suécia, enviou uma carta relatando essas observações ao famoso químico francês Lavoisier. Como veremos depois, essa carta deu o que falar.

Um ano depois, na Inglaterra, o pastor protestante e químico Joseph Priestley, sem conhecer o trabalho de Scheele, fez o mesmo tipo de experimento e obteve, é claro, resultados idênticos. A experiência e sua observação foram impecáveis, o problema surgiu na interpretação que Priestley, como Scheele anteriormente, deu para o que estava acontecendo dentro da campânula. Ambos acreditavam, como aliás praticamente todo mundo, na chamada Teoria do Flogístico, proposta alguns anos antes pelo alemão George Stahl.

Segundo essa crença, todo material capaz de ser queimado ou derretido (madeira, óleo, ferro etc) conteria uma espécie de fluido sem peso, o "flogístico". Queimar ou derreter o material equivaleria a deixar escapar o flogístico de dentro dele para o ar exterior. Com isso, restaria apenas cinza ou metal derretido. O ar atmosférico também conteria bastante flogístico mas não seria completamente "flogistado" pois sempre poderia receber mais flogístico.

Já era sabido que a chama de uma vela encerrada em uma campânula rapidamente se extinguia. A explicação geral era que a queima da vela enchia o ar da campânula de flogístico até saturá-lo. Quando o ar não agüentava mais receber flogístico, a vela apagava. O experimento básico de Scheele e Priestley consistiu em aquecer o pó avermelhado chamado de "mercúrio calcinado" dentro de uma campânula de vidro totalmente vedada onde ficava uma vela acesa. Para conseguir queimar o pó encerrado na campânula era necessário aquecê-lo com o uso de uma lente externa focalizando a luz do Sol, artifício muito engenhoso.

O resultado surpreendente desse experimento foi que, enquanto o mercúrio calcinado era aquecido a vela não apagava; pelo contrário, sua chama ficava até bem mais brilhante. De alguma forma, o pó aquecido favorecia e sustentava a combustão.

A explicação de Priestley para esse resultado foi baseada na hipótese do flogístico. Segundo ele, o pó quente reagia com o ar da campânula e dele retiraria o flogístico, pelo menos parcialmente. Isto é, o ar na campânula ficaria "deflogistado" pois perderia seu flogístico para o pó aquecido. Com isso, a vela não apagava já que o flogístico que ela exalava era consumido pelo pó e não haveria saturação do ar.

Priestley ainda fez outras experiências bem interessantes com seu "ar deflogistado". Como já era sabido, um rato preso em uma campânula totalmente vedada morria depois de algum tempo. A explicação dada para esse infeliz acontecimento era simples: a respiração do rato também produz flogístico, de modo semelhante, embora mais lento, à queima da vela. Mas, se além do ratinho, a campânula contivesse um pouco de mercúrio calcinado aquecido, o rato sobrevivia. Era mais uma comprovação de que o pó aquecido chupava flogístico.

E teve mais. Em outro teste, Priestley colocou a vela queimando (ou um ratinho) juntamente com uma planta verde dentro da campânula. E o resultado foi ainda mais curioso: a vela levava muito tempo para apagar e o rato muito tempo para morrer. A conclusão natural foi que as plantas também absorvem o flogístico, como o pó quente de mercúrio calcinado, só que de modo mais lento. Isto é, as plantas contribuem para manter o ar deflogistado, portanto, respirável. Se elas não existissem para deflogistar o ar que respiramos, todos nós morreríamos sufocados.

Como vemos, as observações de Scheele e Priestley foram muito precisas e suas explicações bastante convincentes. Só que essas explicações estavam erradas, como veremos a seguir.


As experiências e conclusões de Lavoisier.

Um experimento e duas explicações.

As atribulações dos descobridores do Oxigênio.